quinta-feira, 11 de setembro de 2008

Das relações

As relações são inevitáveis, não só pelo facto de o ser humano necessitar de, eventualmente, partilhar mais proximamente com um outro, mas também por imposição da sociedade. As idades do primeiro beijo, da perda da virgindade, do primeiro namorado a sério (e da quantidade deles) são factores de uma espécie de (des)aprovação social.
Apesar de cada vez mais haver tendência para as "superwomen", mulheres independentes, mães solteiras e profissionalmente bem sucedidas, o facto é que chega uma altura da vida em que procuramos parceiro. Porque estamos fartas de estar sozinhas, porque queremos constituir família, porque sim. Contudo, as relações são complicadas... porque exigem duas pessoas.
O "amor" monogâmico é, de certa forma, um estereótipo social hipócrita. As relações mudam-nos, trazem-nos novas perspectivas. Toda a gente tem defeitos que, a não ser que seja um amor absoluto e indescritível, gostaríamos de trocar por qualidades. Numa sociedade exigente e competitiva como a nossa já é difícil aceitarmos os nossos defeitos, quanto mais os dos outros. Quantas relações não acabam "porque não gosto da tua atitude relativamente a isto"? "Porque não consigo lidar com a forma com que encaras aquilo"? Não será, então, natural, que comecemos a olhar de diferente forma para um amigo, um colega de trabalho, um conhecido?
O que é facto é que acontece, às vezes mais do que gostaríamos ou, então, na conta certa para nos apercebermos que "não é isto que eu quero".
Termina a relação, achamos que foi tempo que se perdeu, que não valeu a pena porque, afinal de contas, não seremos amigos (na maior parte das vezes é mesmo impossível), com o que ficámos se voltamos à estaca zero? Mas ficámos. Pelo menos com uma perspectiva diferente. E depois: a) aprendemos e procuramos, a seu tempo, alguém bem diferente daquilo que tínhamos ou b) não aprendemos, deixamos assuntos mal resolvidos, tendemos a procurar o mesmo tipo de homem, porque queremos mudar aquilo que não conseguimos, porque não ultrapassámos o complexo de Édipo ou seja lá o que for, porque é mais difícil partir para o desconhecido.
É necessário estarmos sozinhos uns tempos, ponderarmos o que queremos e termos coragem para o assumir. Aceitar os nossos erros, as nossas falhas. Aceitar os defeitos dos outros.
Na realidade, erraremos ainda assim, porque se há coisa que não podemos mudar é o facto de sermos humanos.

18 mentes brilhantes já se revelaram:

mik@ disse...

concordo plenamente com tudo o que disseste.
e nao consigo comentar mais nada porque enfim... esta semana esta a ser muitooo má.
bjos

mik@ disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Piston disse...

Isso está a bater com força.
Infelizmente é assim mesmo. Cada vez mais exigentes e cada vez mais sozinhos.

Mokas disse...

poix é... isto começa a ficar difícil para quem como eu, já tem 54 anos e é virgem.... =P

medusasss disse...

Aiiiiiiiiii Maria!
Já me comovi!
E agora? Quem vai arranjar um super homem para mim? lol

Já reparaste que super mulheres somos todas nós e eles são assim-assim?

A vida, definitivamente, não é nada justa... pfffffff

***

Piston disse...

É urgente reagir a esse último comentário:

No "todas nós" inclui-se Ana Malhoa?
Lamento discordar.

Mokas disse...

pah piston, nã sê.. tip nós Sâmes todes assiem assiem... por isse nã sê. A Ana malhoa é ganda gaja tamêm peruque é esperta! S'ela fosse parva cantava decentemente e vestia mais roupa. assim vendia menos. dado que o obj é o sucksex (ler success) então olha, é uma super gaja como tdas as outras =P

Piston disse...

Silogismo:

Toda a Ana Malhoa é pêga.
Toda a Ana Malhoa é mulher.
Toda a mulher é...

O perigo de generalizar.

SinemaS disse...

Já tentei por duas vezes comentar mas aqui o blogger deve tar em dia não e não me deixou. Deve tar amuado ou assim.

Já não vou dizer o mesmo que disse porque agora quem amuou fui eu, mas é só para avisar que tens toda a razão.

Francisco disse...

Ainda que quisesse comentar, não saberia o que dizer. Por isso, Maryjane... se quiseres uma "last dance", vai até ao meu blog.

PrimaNocte disse...

Bolas... Muito bom, Mary, muito bom mesmo.

***

O pensador disse...

«..Já reparaste que super mulheres somos todas nós e eles são assim-assim?..»

Medusasss, nós não somos aquilo que pensamos ser, mas sim aquilo que os outros fazem de nós...

Além disso, entre ser "super" ou "assim-assim", a escolha mais acertada recai sempre sobre aquele que se queixa menos da vida...

:-)

O pensador disse...

Maria, é como dizes.
Não precisámos de toda a gente mas sentiremos sempre a necessidade de ter alguém para partilhar a nossa vida, seja ele homem ou mulher. (Cães de companhia não contam...)

Ser um solitário é apodrecer lentamente até só sobrar farrapos...
Ou havemos de manter sempre a nossa razão, ou havemos de querer ser felizes.
O ter razão e ser feliz em simultâneo é praticamente impossivel....

Há que dar para se receber.

D* disse...

Adorei o texto.=) Talvez por estar na fossa e essas palavras fazerem todo o sentido. =S***

Helena de Troia disse...

A verdade é que a natureza da vida é nascermos, juntarmo-nos a alguém, reproduzirmos e morrermos. É a nossa natureza procurarmos sempre alguém. O amor foi uma forma bonita de transformar esta necessidade :) E não é de facto taaaaaaaaaaao bom o amor? :D

Evinha disse...

..tens mesmo razão qd dizes que erraremos ainda assim..
..eu qd penso que aprendi..que vou fazer diferente.. vou e faço tudo igual..
..e tb vou sempre de encontro àquele tipo de homem..que é exactamente o que não preciso..aliás vou sempre ao mesmo!
..mesmo que passe a vida a dizer para mim mesma..o próximo namorado tem de ser assim.. ou da próxima quero alguém assim.. ou tens de mudar um kikinho.. não há volta a dar..as pessoas não mudam assim tanto..nem eu nem ele ..e se ele fosse dessa tal maneira que eu penso que gostaria.. de certeza que não is ser tão apixonada por ele..
..sei lá..é mesmo o que dá vontade de dizer..!!
Beijo bom.. gosto mesmo do teu blogue;)

nika_liu disse...

Tudo é necessário, as relações, que umas vezes resultam e outras não, e a solidão, para dar tempo para percebermos quem somos, para dar tempo de recuperar de uma relação para ser possivel investir noutra, caso apareça...ou então apenas porque não estamos pr'aí virados...

Spiral Out disse...

Peço desculpa por 'ressuscitar' este post, mas cá vai..

Penso que o erro (que leva a que as relações sejam algo encarado como complicado) está na forma como se inicia.. Nos motivos que nos levam a aceitar partilhar tudo - ou quase tudo - com uma outra pessoa.. E não consigo encontrar um motivo que não seja minimamente errado.. Todos o são.. Talvez o importante seja assumir que qualquer que seja a razão, nada do que acontecerá a partir do dia 0 numa relação contribuirá para um certo 'closure'.. Como achar que encontramos a pessoa que vamos amar para sempre ou que nos amará para sempre.. Abraçar as relações com a abertura de espirito total (e tão necessária noutros assuntos da vida) implica que se veja cada relação como algo indefinido e não adquirido..

Just my two cents.. Gostei do teu espaço.. Voltarei..